O Governo do Tocantins reforçou, nesta quinta-feira (31), seu compromisso com os povos indígenas ao realizar uma oficina na aldeia Santa Isabel, na Ilha do Bananal, com foco no processo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto ao povo Karajá. A ação faz parte da implementação do Programa Jurisdicional REDD+, que busca desenvolver estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas em diálogo direto com as comunidades tradicionais.
A atividade foi promovida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), em colaboração com a Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot). O programa segue os princípios da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina que projetos que impactam diretamente comunidades tradicionais devem ser apresentados e discutidos previamente com seus integrantes.
O secretário da Sepot, Paulo Xerente, participou da atividade e destacou a importância da iniciativa para garantir os direitos e dar protagonismo aos povos indígenas no debate climático. Ele ressaltou que a criação da Sepot pela atual gestão do governador Wanderlei Barbosa representou um marco na valorização dos povos originários no Tocantins, além de permitir um trabalho articulado com outras secretarias, como a Semarh, para garantir ações mais eficazes e respeitosas.
Durante a oficina, também foi reconhecido o trabalho técnico da equipe de campo e da especialista em REDD+, Marli Santos. Um ponto de destaque foi a presença de tradutores, o que permitiu que o conteúdo fosse apresentado nas línguas maternas dos povos participantes, promovendo maior compreensão e engajamento.
O público beneficiado pela iniciativa faz parte do grupo PIPCTAFQ — formado por povos indígenas, comunidades quilombolas, tradicionais e agricultores familiares. O objetivo central do REDD+ é reduzir a emissão de gases de efeito estufa por meio do combate ao desmatamento e à degradação ambiental, além de promover o uso sustentável dos recursos naturais e incentivar atividades da bioeconomia, gerando novas fontes de renda para as comunidades.
Os resultados alcançados podem ser convertidos em créditos de carbono, que têm valor monetário e podem ser comercializados. No modelo adotado pelo Tocantins, o retorno financeiro será aplicado diretamente em projetos comunitários, promovendo o desenvolvimento sustentável e respeitando os modos de vida e saberes ancestrais dessas populações.
