O Ministério Público do Tocantins, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), denunciou 17 pessoas por envolvimento em um esquema de tráfico de drogas, associação criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes. Os acusados seriam integrantes da facção “Amigos do Estado” (ADE), nascida em Goiás e com atuação expandida para o Tocantins, Bahia, Pará e outras regiões do país.
Segundo as investigações conduzidas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), o grupo utilizava pistas clandestinas de pouso em propriedades rurais nos municípios de Formoso do Araguaia e Almas, no sudeste tocantinense, como ponto estratégico para o transporte aéreo de drogas. A logística integra a chamada “Rota Caipira”, um corredor que abrange o interior paulista, Triângulo Mineiro e sul de Goiás, e que passou a contar com o Tocantins como elo tático para escapar do cerco policial em Goiás.
Além das rotas aéreas, os investigadores identificaram quatro empresas fictícias utilizadas pela facção para movimentar recursos obtidos de forma ilícita. Em apenas seis meses, essas empresas movimentaram quase R$ 64 milhões. A denúncia aponta que o grupo operava pelo menos desde dezembro de 2023 até maio de 2025.
A origem da investigação remonta a uma abordagem policial em abril de 2024, quando o condutor de uma caminhonete Hilux desobedeceu a uma fiscalização na divisa entre Tocantins e Bahia. Após perseguição, foi detido e identificado com um mandado de prisão pendente. No veículo, os policiais encontraram um reboque com cerca de mil litros de combustível de aviação sem nota fiscal, além de produtos de alto valor, como drone, celulares, relógios e óculos de marca. O proprietário do veículo, que se dizia vaqueiro com salário de R$ 4 mil mensais, também foi preso.
Os denunciados, residentes em cidades como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Goianira (GO), Imperatriz (MA) e Xinguara (PA), são acusados formalmente de organização criminosa, tráfico de drogas, financiamento do tráfico, falsificação de documentos e lavagem de capitais. O processo foi aceito pela Vara Criminal de Dianópolis no fim de junho e seguirá com tramitação judicial.
