O ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse (Agir), está preso há 20 dias, sob acusação de planejar uma fuga para o exterior. Ele foi detido no dia 15 de dezembro de 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), quando se dirigia a uma fazenda em São Valério, no sul do estado. Desde então, ao menos sete pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa foram negados pela Justiça.
Prisão preventiva e acusações
O mandado de prisão foi expedido pela 3ª Vara Criminal de Palmas em 25 de novembro de 2024, mas só foi cumprido 20 dias depois. Carlesse é investigado por uma série de crimes, incluindo fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Estadual (MPTO), ele estaria planejando uma fuga para o Uruguai, utilizando sua cidadania italiana e um documento de identidade uruguaio providenciado com ajuda do sobrinho, Claudinei Quaresemin, ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins.
O ex-governador teria até declarado residência em Marsciano, na Itália, como parte do plano de fuga. Mensagens trocadas entre Carlesse e Quaresemin em 2023 e 2024 reforçam as suspeitas, segundo as investigações.
Defesa alega ilegalidade
Em nota, a defesa de Mauro Carlesse considerou a prisão ilegal, argumentando que as ações penais contra ele estão suspensas porque os advogados não tiveram acesso às provas. Além disso, os advogados sustentam que o fato de o mandado de prisão ter sido cumprido 20 dias após sua expedição indica que não havia risco de fuga.
O ex-governador, em entrevista, negou as acusações de fuga e justificou a posse do documento uruguaio como necessário para atividades comerciais. Ele afirmou que sua cidadania italiana era usada apenas para viagens de férias e que estava à disposição da Justiça.
Pedidos de liberdade negados
Desde sua prisão, Mauro Carlesse teve ao menos sete pedidos de habeas corpus negados por diferentes instâncias da Justiça. Entre os juízes que rejeitaram os pedidos estão:
•João Rigo Guimarães, desembargador do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO).
•Eurípedes Lamounier, desembargador do TJ-TO.
•Angela Issa Haonat, desembargadora plantonista da 2ª Instância, que destacou que a retenção do passaporte não seria suficiente, já que o Uruguai permite entrada de brasileiros apenas com identidade.
•Márcio Soares da Cunha, juiz da 3ª Vara Criminal de Palmas.
Um pedido também foi apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas foi negado em dezembro.
Histórico de acusações
Mauro Carlesse foi governador do Tocantins entre 2018 e 2021, após assumir de forma interina com a cassação de Marcelo Miranda e Cláudia Lelis. Ele venceu as eleições suplementares e gerais, mas enfrentou um afastamento em 2021 pelo STJ, no âmbito das operações Hygea e Éris, que apuravam corrupção no plano de saúde dos servidores e interferência na Polícia Civil. Em meio a essas acusações, ele renunciou antes de um processo de impeachment.
Em abril de 2024, novas provas apontaram um suposto plano de fuga com ajuda de Quaresemin, que teria obtido documentos para residência no Uruguai. Quaresemin, que já estava preso por outra operação, também é investigado por envolvimento em esquemas de corrupção.
Próximos passos
A defesa de Carlesse promete recorrer e continuar buscando a liberdade do ex-governador. O caso segue sendo acompanhado de perto pelo MPTO e outras instâncias judiciais. Enquanto isso, Carlesse permanece preso, e o andamento das investigações e julgamentos determinará o desfecho das acusações que pesam contra ele.
