A bancada do Tocantins no Senado Federal apresenta posições divergentes em relação ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Eduardo Gomes (PL) e Professora Dorinha Seabra (União Brasil) figuram entre os 37 senadores que apoiam a abertura do processo, enquanto Irajá Abreu (PSD) integra o grupo dos 19 parlamentares que se opõem à iniciativa.
Em declaração feita durante coletiva na rampa do Congresso Nacional, Eduardo Gomes defendeu a medida como parte de um esforço pela pacificação institucional, classificando o impeachment como componente de um “pacote da paz” voltado à reconstrução do diálogo e da estabilidade no país.
Vice-líder do União Brasil no Senado, Dorinha já havia assinado formalmente o requerimento de impeachment em setembro de 2024, ao lado de Gomes. A decisão, vista como um gesto à sua base conservadora no estado, destoou da posição oficial do governo federal, do qual ela integra a base de apoio.
Já Irajá Abreu mantém sua posição contrária ao processo, sendo o único representante tocantinense a adotar esse posicionamento. Alinhado à ala do PSD que prioriza a manutenção do diálogo institucional com o Supremo Tribunal Federal, Irajá reforça o grupo governista que busca conter o avanço da pauta.
De acordo com o levantamento mais recente publicado pelo site VotosSenadores, o cenário nacional contabiliza 37 senadores favoráveis à abertura do processo, 19 contrários e 25 ainda sem posição declarada. Para que o julgamento seja instaurado, o pedido precisa de 54 votos favoráveis — o equivalente a dois terços do plenário.
Mesmo com a crescente mobilização de parlamentares oposicionistas, o andamento da proposta segue travado. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidir se dará seguimento ao pedido. Eleito para o biênio 2025-2026, Alcolumbre tem sinalizado, segundo interlocutores, que não pretende levar o tema à pauta, o que, na prática, impede qualquer avanço.
Com dois votos a favor e um contrário, o Tocantins se insere num debate que, por ora, permanece bloqueado pelas articulações internas da cúpula do Senado. Sem o endosso da presidência da Casa e distante do quórum necessário, o processo contra Alexandre de Moraes segue restrito ao campo da pressão política e simbólica.
