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Início » Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta suas obras no Rio

Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta suas obras no Rio

Redação PolíticaBy Redação Política7 de julho de 2026
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Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta suas obras no Rio

A escultora brasileira de origem indígena Conceição Freitas da Silva Antunes, nascida no Rio Grande do Sul em 1914, ficou conhecida como Conceição dos Bugres, ao basear suas peças entalhadas em madeira no tema único de figuras indígenas denominadas bugres. Conceição foi reconhecida como uma das maiores artesãs da Região Centro-Oeste brasileira, em especial do estado do Mato Grosso do Sul, onde suas esculturas são consideradas os mais representativos artefatos da arte, da cultura e da identidade local.

Depois da morte de Conceição, em 1984, seu marido Abílio Freitas da Silva, e seu filho Ilton Silva, deram continuidade à obra dos bugres, tarefa que, agora, está a cargo do neto Mariano Antunes Cabral Silva, ou Mariano Neto, como é mais conhecido. Os trabalhos do neto são inspirados nas peças criadas pela avó artista.

Mariano e sua mãe, Sotera Sanches, também escultora, apresentam pela primeira vez seus trabalhos no Rio de Janeiro, na mostra “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto”, na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro. O equipamento integra o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A exposição será aberta nesta quinta-feira (9), às 17h, com a presença de Mariano Neto, e poderá ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h às 18h e, aos sábados, domingos e feriados das 11h às 17h, até o dia 9 de setembro. A entrada é gratuita.

O catálogo e todas as obras expostas poderão ser adquiridos pelo público durante a mostra e, posteriormente, também na loja do museu. O preço é colocado pelo próprio artista, com base no princípio do comércio justo. Não há intenção de encarecer o produto. Apenas uma pequena porcentagem é reservada para a administração da loja. A cada três meses, há uma exposição no local com esse mesmo propósito.

Após exporem seus trabalhos na Sala do Artista Popular, os artesãos continuam enviando suas obras. “É uma forma de apoio”, informou à Agência Brasil a pesquisadora da mostra, Flávia Klausing Gervásio.

Acervo

O Museu de Folclore Edison Carneiro tem algumas obras de Conceição dos Bugres em seu acervo, que foram expostas em uma mostra de longa duração.

“Antes de morrer, ela teve êxito local e participou de mostras em museus da região. Depois de sua morte, porém, Conceição teve uma ascensão muito maior. Agora, as obras dela valem muito mais. Estão em galerias e, recentemente, estiveram no Museu de Arte de São Paulo (MASP)”, disse Flávia. As peças da artesão estão também no Museu Afro.

Já a família, que continuou a tradição dos bugres que ela fazia, é a primeira vez que expõe aqui, disse a pesquisadora. “Desde pequeno, Mariano ajudava a avó na fabricação das esculturas. Quando ficou adulto, ele tinha já uma produção própria. Fazia esculturas de madeira também, mas eram de outro estilo, outro tipo de produção, como sereias. Mas, depois da morte de Conceição e do Abílio, ele resolveu continuar essa produção familiar. Passou a produzir só os bugres”, explicou a pesquisadora.

Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta seus trabralhos, por Francisco Moreira da Costa/Divulgação

A mãe de Mariano, nora de Conceição, ajuda na produção dos bugres, mas tem uma produção própria, que são os totens, esculturas que têm só rostos entalhados na madeira crua, sem adição de cera e de tinta, como as feitas pela sogra. As peças maiores de Sotera Sanches não puderam ser transportadas para o museu, no Rio, mas vieram esculturas de parede que o público poderá apreciar. Flávia Klausing contou que na casa de Sotera, no Mato Grosso do Sul, em toda pilastra ela vai esculpindo totens.

Documentação

Na década de 1970, o trabalho da Conceição dos Bugres foi documentado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, dentro de um programa de artesanato brasileiro que mapeava diversas técnicas artesanais e artísticas.

Pesquisadores foram para o Mato Grosso do Sul àquela época e fotografaram seu atelier. “Por isso, a gente tem essa documentação fotográfica até hoje”. Parte dessa documentação foi colocada no catálogo da exposição.

O Museu de Folclore Edison Carneiro realiza exposições de artistas populares de todo o Brasil há mais de 40 anos, no projeto denominado Sala do Artista Popular. “É um projeto que faz a documentação do modo de fazer da obra. Então a gente faz a documentação fotográfica, pesquisa o modo de fazer, depois produz a exposição. Tem um vídeo também que faz parte da mostra”.

Flávia esclareceu que “o nosso intuito é, a cada ano, a cada ciclo de exposições, ter também uma diversidade das regiões do Brasil, ou seja, ter uma diversidade de técnicas porque, às vezes, são edições familiares, de comunidades, às vezes individuais. Então, a gente vai tentando dar essa variedade ao longo do ano”. 

 

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